Como o isolamento social causado pelo Coronavírus mudou a forma como consumimos internet

Os provedores de Internet e serviços de comunicação estão vendo as cargas de suas redes aumentarem, à medida que mais pessoas trabalham de suas casas, e no Brasil não está sendo diferente.

Com as medidas de isolamento, um número crescente de empresas tem trabalhado remotamente, e assim como esperado, as reuniões que antes se concentravam presencialmente em escritórios, passaram a ser feitas em conferências por voz e vídeo, aumentando o tráfego e consumo de dados.

Além dos profissionais, que são obrigados em seu dia a dia, a ter que usar esse tipo de solução nessa nova realidade, também temos inúmeros estudantes que estão usando a internet para o aprendizado remoto, colocando seus estudos em dia.

Os países mais afetados pela pandemia, aumentaram o tráfego de dados, e com algumas análises iniciais sendo feitas, já é possível perceber um padrão na utilização da rede em horários específicos.

Muitos usuários começam suas atividades online logo pela manhã, se mantendo constante ao longo do dia, porém, é a noite que existe o pico, aumentando muito o consumo de dados.

É possível perceber que nessa faixa de horário, os serviços de streaming são muito utilizados. Além do alto consumo, as empresas detectaram que vários dispositivos e telas estão sendo usados ​​simultaneamente em uma mesma casa.

Por esse motivo, a Netflix, Youtube, Amazon Prime e até mesmo a Globo com o Globo Play, decidiram reduzir a qualidade da imagem fornecida para os usuários, a fim de evitar sobrecarga nos provedores de internet do Brasil e do mundo.

De acordo com o gerente de infraestrutura Júlio Sirota, da IX.br, Comitê Gestor de Internet no Brasil, apesar do aumento de consumo, dentro do esperado, a infraestrutura de rede do país tem uma alta capacidade de tráfego de dados e não deve sofrer nenhum tipo de restrição no momento.

Contudo, apontamentos realizados na Europa, onde a crise causada pelo vírus está mais acentuada, trazem números muito mais expressivos, apresentando aumentos que vão de 10% até 40%, como o caso da Itália. Mesmo as maiores empresas de tecnologia admitiram estar enfrentando dificuldades com as mudanças no padrão de tráfego.

Mark Zuckerberg, presidente executivo do Facebook, disse a jornalistas que a empresa está fazendo experimentos com sobrecargas no uso de determinados serviços. O aumento no número de ligações realizadas através dos aplicativos WhatsApp e Messenger chegou a atingir o índice de 100%.

Zuckerberg disse: “É preciso garantir que a situação esteja sob controle no ponto de vista de infraestrutura”, o que mostra a preocupação da empresa na disponibilidade dos seus serviços.

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), por sua vez, se preocupa com os impactos futuros que o aumento do consumo de internet em banda larga podem ocasionar no Brasil.

Pensando nisso, a agência reguladora adotou medidas com o objetivo de minimizar os efeitos do distanciamento físico entre as pessoas devido ao Coronavírus.

As medidas foram demandadas em um ofício tentando facilitar a vida da população que deixou de sair de casa para evitar a disseminação do Covid-19. Com um cenário de maior distanciamento físico, requisições de quarentena e trabalho remoto, as conexões de acesso às redes se tornaram ainda mais essenciais.

O órgão está cobrando medidas mais efetivas das operadoras de internet, como o aumento da velocidade de banda larga fixa e liberação do acesso das redes Wi-Fi em locais públicos.

O ofício determina ainda, maior flexibilidade das empresas prestadoras de serviço em relação à inadimplência dos clientes, estendendo prazos estipulados em contrato com os consumidores.

O Speedtest.net, serviço mundial utilizado para testes de velocidade de conexão, publicou um relatório que aponta redução de velocidade de operação em países como Estados Unidos, China e Itália. Se continuarmos com esse cenário, em breve o mesmo deve se repetir no Brasil.

Especialistas da Navita também falaram um pouco sobre a percepção desta mudança no cenário. Muitas organizações privadas estão trabalhando pela melhoria efetiva da infraestrutura, para assegurar um ambiente mais estável e propício para o trabalho em casa.

Um exemplo direto deste tipo de melhoria é a contratação ou upgrade nos links de banda larga.

Para Amanda Pozzi, gerente de Customer Success na Navita, até a cotação do dólar exerce um papel importante no momento: “Alguns clientes possuem contratos em dólar, isto é, já existe a preocupação pela negociação do dólar fixo para os próximos meses”.

Os dados móveis também estão sendo roteados para notebooks, o que justifica parte do aumento de seu uso. A sobrecarga dos pacotes de dados compartilhados reduz de forma representativa a velocidade e, consequentemente, a produtividade dos times remotos.

Segundo Rodrigo Gabardo, gerente de alianças e canais da Navita, já é possível perceber que as empresas estão focadas em sua reestruturação. Desde o aumento na utilização do MDM, com ações simples como, a distribuição de apps de comunicação para reuniões online, até mudanças de ferramentas como o Exchange para Office 365, são apenas alguns exemplos.

Com o isolamento social em um ambiente urbano, as pessoas e empresas precisarão de acesso à internet para praticamente tudo, a tecnologia mais do que nunca se tornou uma grande aliada.

O uso da internet no Brasil está distribuído em 32,5 milhões de acessos na banda larga fixa e 226,7 milhões na rede móvel, de acordo com a Anatel. Nas classes D e E, 83% do acesso é móvel, isto é, realizado através de pacotes de celular limitados.

Ainda de acordo com a Anatel, as redes de telecomunicações são projetadas e implementadas com capacidade de tráfego além do normal, suportando aumentos repentinos nas demandas.

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