
Dark web: o que é, como funciona e o que existe lá
Dark web é a parte da internet que nenhum buscador indexa e que a maioria das pessoas nunca vai acessar, mas que afeta diretamente a vida de quem tem dados digitais. O termo aparece em notícias sobre vazamentos, crimes cibernéticos e privacidade. No entanto, poucos entendem o que a dark web realmente é e o que ela não é, por isso, antes de qualquer discussão sobre riscos ou proteção, vale entender o conceito do início. O que é dark web? Dark web é uma camada da internet que não aparece em resultados de busca e não pode ser acessada por navegadores convencionais como Chrome, Firefox ou Safari. Para navegar na dark web, é necessário usar softwares específicos de anonimização, o mais conhecido é o navegador Tor (The Onion Router). Por isso, tanto a identidade do usuário quanto a localização dos servidores ficam ocultas dentro desse ambiente. Dark web não é sinônimo de crime, é uma tecnologia de anonimato que, como qualquer tecnologia, pode ser usada para fins legítimos ou ilegítimos, tais como: jornalistas em países com censura, ativistas políticos, pesquisadores de segurança e denunciantes usam a dark web para se comunicar com segurança. Por outro lado, esse mesmo anonimato atrai atividades criminosas. Portanto, o que é dark web depende de como é usada, não de sua existência em si. A estrutura da internet: surface web, deep web e dark web Dark web é frequentemente cofundida com deep web, no entanto, são conceitos diferentes e entender essa distinção é o primeiro passo para compreender o tema. Surface web: a internet visível Surface web é tudo que os buscadores como Google e Bing conseguem indexar. Inclui sites institucionais, portais de notícias, redes sociais e qualquer página pública que qualquer pessoa pode acessar sem autenticação. Por isso, a surface web é o que a maioria das pessoas conhece como “a internet”, no entanto, ela representa menos de 10% de todo o conteúdo existente online. Deep web: a internet não indexada Deep web é toda a parte da internet que não aparece em resultados de busca, por exemplo: o conteúdo do seu e-mail, o extrato bancário online, os prontuários médicos em sistemas hospitalares, as intranets corporativas e os bancos de dados privados fazem parte da deep web. Além disso, qualquer sistema que exige login para ser acessado está na deep web. Por isso, deep web não é perigosa por natureza. É simplesmente a parte da internet que requer credenciais para acesso e corresponde a aproximadamente 90% de todo o conteúdo online. Dark web: a internet anônima Dark web é uma fração específica da deep web que só funciona via softwares de anonimização, além disso, os próprios servidores da dark web ocultam sua localização, o que torna o rastreamento extremamente difícil. Como resultado, a dark web e a deep web não são a mesma coisa, toda dark web é deep web, mas a esmagadora maioria da deep web (e-mails, bancos e sistemas corporativos) não é dark web. Como a dark web funciona tecnicamente Dark web funciona a partir de uma tecnologia chamada onion routing ou roteamento em cebola. Quando alguém acessa a dark web pelo Tor, a conexão passa por múltiplos servidores intermediários ao redor do mundo. Cada nó conhece apenas o nó anterior e o próximo, nunca a rota completa, por isso, rastrear a origem de uma conexão se torna extremamente difícil. Além disso, os sites da dark web usam o domínio .onion que não existe na internet convencional e só pode ser acessado pelo Tor. Como resultado, tanto o usuário quanto o servidor permanecem anônimos. Por isso, a dark web não é uma rede separada da internet, é a mesma infraestrutura de rede, mas acessada por um caminho que preserva o anonimato de quem acessa e de quem hospeda. O que existe na dark web? Dark web abriga uma variedade de conteúdos e serviços que vão muito além do que as notícias costumam mostrar. Usos legítimos Em primeiro lugar, existem usos complementamente legítimos da dark web: jornalistas e denunciantes usam plataformas como o SecureDrop para enviar documentos sigilosos a veículos de imprensa com segurança, ativistas em países com censura usam a dark web para se comunicar livremente e até pesquisadores de segurança monitoram fóruns da dark web para identificar ameaças emergentes. Além disso, versões .onion de sites como o The New York Times e a BBC existem na dark web, justamente para garantir acesso a pessoas em países onde esses veículos são bloqueados. Mercados e fóruns clandestinos Por outro lado, a dark web também abriga mercados clandestinos onde produtos e serviços ilegais são comercializados, tais como: drogas, armas, documentos falsificados e dados roubados circulam nesses ambientes. Além disso, existem fóruns especializados em diferentes tipos de atividade criminosa, desde fraudes financeiras até ataques cibernéticos coordenados. Dados vazados Um dos conteúdos mais comuns na dark web são bases de dados obtidas em vazamentos, sejam: credenciais de acesso, informações pessoais e dados financeiros de pessoas e organizações aparecem nesses ambientes após incidentes de segurança. Por isso, a dark web funciona como um recado secundário de dados, onde as informações obtidas ilegalmente chegam e são redistribuídas. Acessar a dark web é crime no Brasil? Não, acessar a dark web não é crime no Brasil. O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) e a Lei Carolina Dieckmann (Lei 12.737/2012) regulam crimes cibernéticos no país, no entanto, nenhuma dessas leis proíbe o acesso à dark web em si. O que a legislação brasileira pune são as ações praticadas, como: comprar dados roubados, contratar serviços de hacking, adquirir produtos ilegais ou participar de fraudes. Por isso, o acesso é legal, mas a conduta dentro desse ambiente é o que determina a existência ou não de crime. Além disso, o simples fato de instalar o navegador Tor não implica nenhuma infração, muitas pessoas usam o Tor para preservar privacidade em redes convencionais, sem nunca acessar conteúdo ilegal. Portanto, dark web é uma tecnologia e como qualquer tecnologia, seu uso pode ser legal ou ilegal dependendo do que é feito com








