Como a tecnologia e a gestão de dados de celulares estão ajudando no combate ao Covid-19

Dados armazenados pelo Facebook, Google e diversas operadoras, fornecidos através da geolocalização de celulares, estão sendo utilizados para criar índices do comprometimento com o isolamento social.

Com o auxílio destes dados é possível mapear quais regiões têm maior aderência ao isolamento e quais são as movimentações mais comuns, oferecendo informações para o controle e focos de incidência da pandemia.

Ou seja, aquele mesmo recurso que te permite fazer check-in no seu restaurante favorito no Instagram ou rastrear o celular corporativo através de plataformas de MDM ou EMM, agora está ajudando a criar índices de comprometimento com a quarentena para evitar a propagação da Covid-19.

Além do Google e Facebook, que estão fazendo seus próprios relatórios, as operadoras Algar, Claro, Oi, Tim e Vivo fornecerão a localização de 222 milhões de linhas móveis para o Ministério da Ciência, Inovação, Tecnologia e Comunicação (MCTIC). As cinco empresas respondem por 97,8% dos 227,1 milhões de acessos móveis no Brasil.

A startup In Loco, especialista em fornecer inteligência a partir de dados de localização, puxou dados públicos das operadoras utilizados na publicidade. Com eles, foi realizada uma análise do comportamento de 60 milhões de celulares brasileiros. A tecnologia utiliza a geolocalização para dizer quantas pessoas estão “estacionadas”, ou seja, em casa.

O resultado do levantamento não é nem um pouco positivo. De acordo com a inteligência levantada, o número de pessoas em quarentena no Brasil está em queda livre.

De acordo com o relatório da In Loco, o ápice de adesão ao isolamento social foi em 26 de março, atingindo a marca de 57.6% dos usuários de celular. Desde então, o índice fica abaixo de 54%, marcando picos de pessoas em casa aos domingos.

O Facebook, por sua vez, detém informações de mais de 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo. Destas, 130 milhões no Brasil. Com essas informações em mãos, a empresa divulgou três mapas com a movimentação dos brasileiros durante a pandemia.

O primeiro deles calcula a probabilidade de pessoas de uma área entrarem em contato com grupos de outra área. De importância indiscutível, o relatório faz uma análise preditiva da localização dos próximos casos de Covid-19. Pode ser essencial, por exemplo, na estratégia de implementação dos novos hospitais de campanha.

O segundo relatório releva as tendências de movimento, ou seja, cria índices de adesão regional ao isolamento social. Estes índices podem apontar quais ações de conscientização devem ser fomentadas e onde. Também podem ajudar as autoridades de saúde a entender os empecilhos na realização da quarentena, por região, embasando iniciativas socioculturais de maior assertividade.

Por último, o mapa de conexão social (amizades) ajuda a prever a propagação da doença e áreas mais atingidas.

O Advertising ID, ou código de publicidade, é um número único que constantemente identifica os interesses dos usuários que navegam pelos serviços de plataformas como Google e Facebook.

Esta identificação serve para mostrar anúncios segmentados ou personalizados (os “anúncios com base em interesses”), que geram receita para os apps, mas também podem ser usados para rastrear deslocamento e uso de apps.

O cruzamento de todas estas bases de dados virou o IIS (Índice de Isolamento Social). Ele é medido diariamente, de forma automatizada, para estabelecer a razão entre quem fica em casa e quem se desloca.

O governo do Rio de Janeiro, em parceria com a Tim, e o de Recife, em parceria com a In Loco, já utilizaram a inteligência de geolocalização para combater a propagação da doença.

Ações baseadas nos dados analisados obtém maior precisão. Ambos os governos mencionados embasaram o envio de profissionais a áreas de aglomeração e carros de som em locais movimentados através destes dados.

O Governo Federal já anunciou que o cruzamento dos dados monitorará aglomerações e direcionará políticas de saúde pública. Do ponto de vista de privacidade, os dados serão armazenados em uma nuvem pública, na qual permanecerão anônimos e unificados.

Os dados de deslocamento, mobilidade populacional, pontos de aglomeração e risco de contaminação serão direcionados para a sala de acompanhamento de crise do governo federal.

Para a LGPD, a anonimização dos dados configura prática segura. Contudo, é importante monitorar a eliminação dos dados coletados durante a parceria assim que a epidemia terminar.

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